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Whatsapp e operadoras de telefonia, qual o motivo desse embate?


23 de março de 2016

Fugindo um pouco das postagens costumeiras acerca do Direito de Autor e Direito da Propriedade Industrial, pensei ser relevante trazer à tona alguns dos motivos pelos quais o whatsapp gera tanta polêmica. Hoje gostaria de tratar especificamente do motivo pelo qual ele foi chamado de serviço pirata pelo presidente da Vivo, Amos Genish.

Esse artigo da Época Negócios trata muito bem sobre o tema, trazendo alguns dos argumentos mais relevantes sobre o assunto, o plano de ação das operadoras e possíveis desfechos para essa batalha entre WhatsApp e operadoras. Apontarei, contudo, dois dos principais aspectos desse serviço de mensagens, os quais geram tanta polêmica.

O primeiro deles é que o WhatsApp é um serviço disruptivo. Assim como Uber, Airbnb, Netflix e Spotify, o Whatsapp abre novos mercados ao desestabilizar setores inteiros da economia. Em um setor extremamente corporativista e fechado que é o das telecomunicações, esse serviço de mensagens chega como uma alternativa muito mais barata e simples de se usar em comparação com o fornecido atualmente. As quatro maiores operadoras do Brasil: VivoOi, Tim e Claro, registraram forte queda nos rendimentos no ano de 2015, muito disso causado por esse novo serviço.

O segundo fator de relevância é que WhatsApp, como todo aquele fornecido pela Internet, é um serviço Over-The-Top. Isso significa que ele não precisa investir nada em infraestrutura para poder atingir seu público consumidor, aproveitando-se de conexão à rede já instalada anteriormente por terceiros. Ou seja, isso permite ao WhatsApp fornecer um serviço tão bom, senão melhor, que as operadoras de telefonia sem precisar gastar dinheiro com a instalação de cabos, antenas ou outros tipos de equipamentos.

E seriam esses dois fatores que fazem com que as operadoras de telefonia ver esse aplicativo com maus olhos. Se há cinco anos atrás as quatro grandes detinham o virtual monopólio do setor de telecomunicações, atualmente elas sofrem grave ameaça de um serviço mais eficiente, mais barato e que se aproveita de sua infraestrutura para prosperar. Agora é esperar para ver se as operadoras vão saber se adaptar à concorrência e inovar em seus serviços para não serem deixadas para trás.