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Entrevista com Felipe Andreoli sobre o canal Desimpedidos


12 de janeiro de 2017

No último ano tivemos a oportunidade de entrevistar o jornalista e humorista Felipe Andreoli, um dos responsáveis pela criação do Desimpedidos, canal de humor esportivo que já conta com mais de 3 milhões de inscritos em sua conta no youtube e 3,5 milhões de seguidores em sua página de facebook. Foram feitas perguntas desde como começou o projeto até a maneira como o canal lida com os direitos autorais e seus patrocinadores. Logo abaixo, as perguntas e suas respectivas respostas:

PERGUNTA: Como surgiu esse interesse pelo canal? Como você acabou entrando no Desimpedidos?

RESPOSTA: Foi por acaso. Meu irmão era diretor de publicidade e teve um encontro com alguns dos sócios que tinham cotado ele para trabalhar lá e fazer algumas gravações, mas ele não podia então acabou me indicando. O pessoal achou super legal. Meu irmão sugeriu para que nós conversássemos. A partir daí acabei ajudando a dar o pontapé inicial, nem sabíamos como ia ser, na época tinha só a narração do mil grau, aí começou com o Desandreoli que virou o Fred+10. Muito feliz de fazer parte desse processo desde o início.

P: Nesse âmbito dos vídeos, vocês pegam bastante material de outras emissoras: fotos, vídeos dos gols, narrações, vocês pedem autorização para elas?

R: Vou ser sincero, essa parte burocrática, de permissão nós temos uma pessoa que sabe bem disso, quanto tempo de cada que pode usar, aí entramos em contato com as emissoras que liberam. Sei que tudo que entra no ar não corre risco, isso que eu sei, mas quanto e como não sei dizer.

P: Você sentiu que foi ficando mais fácil ou mais difícil de obter esse tipo de conteúdo?

R: Quando eu fui para a Globo eu tive que sair do canal, pois ela enxerga o youtube como concorrente. Então eu acho, até por causa disso, que a tendência é ir dificultando, porque cada vez mais a TV à cabo vai concorrer com a aberta, assim como a internet também vai concorrer com a TV aberta. Hoje em dia eles disputam o mesmo dinheiro. “Onde eu vou investir o dinheiro, aqui ou acolá?” Qualquer lado, quem tem suas armas se protege do jeito que pode.

P: E as pessoas que compartilham os vídeos de vocês, como vocês lidam com isso?

R: Eu acho ótimo, pois a internet é um campo aberto. Um exemplo: meu facebook é um canal que eu tenho uma equipe para me ajudar, ele é um portal de futebol que o meu pessoal busca esses conteúdos para postar na página, para fazer um bem-bolado de tudo. Combinei com minha equipe de sempre divulgar quem postou determinado vídeo. Sempre faço questão de marcar e mostrar de onde tirei esse conteúdo, pois ele é feito de tantos outros conteúdos. Esses dias descobri uma rádio de SP que copiava meus conteúdos igualzinho, meu facebook por inteiro, todo dia. Um amigo meu avisou que essa página de rádio copiava tudo. Aí entrei em um dilema, pois eu também pego muito conteúdo de outras páginas, mas tem algumas piadas nossas, originais. Como eu posso cobrar isso? É um campo meio livre, não tem uma coisa legal para me proteger. Acontece que um dos membros da minha equipe conhecia o produtor da página e foi falar com ele pedindo para que parasse de copiar a página, ou disfarçar pelo menos. Na área da internet, onde é meio sem lei, não tem bloqueios legais de resolver isso, uma boa parte é na camaradagem, a outra na honestidade, pois quando começamos a fazer a página minha equipe postava muita coisa sem dar o crédito, aí eu passei a ser muito bombardeado de mensagens negativas, mas a partir do momento que eu passei a dar o crédito as críticas pararam e a galera passou a respeitou isso.

P: Até que ponto o patrocínio de uma marca esportiva no canal prejudica a neutralidade do conteúdo?

R: Pouco, porque o Desimpedidos não tem um comprometimento jornalístico/informativo. Obviamente o patrocinador tem uma proposta. Acho que sinceramente não vamos deixar de mostrar um gol do Neymar no Fred+10 porque o Neymar é Nike, aí prejudicaria. Uma coisa bem clara na galera do Desimpedidos é que qualquer marca que entrar e participar tem que participar do jeito que o canal é. Não podem mudar o jeito do canal, pois senão o tiro sai pela culatra. O público gosta do jeito que o canal é. Se mudar para fazer uma propaganda e levar uma marca eles vão ser xingados.

P: Como lidar com informação e zoeira ao mesmo tempo?

R: Não vejo o Desimpedidos como um canal de informação, não tem nada de informação lá, não falo quem foi a última contratação antes da globo ou qualquer outra empresa, não tem esse conteúdo ali diretamente, e isso é uma coisa boa. Por não se comprometer fica mais solto para a zoeira, pois não precisa se ater a um critério jornalístico.

P: Como se lida com a diferença de linguagem na internet e na TV?

R: Estou aprendendo ainda. Tem um exemplo engraçado de quando eu comecei o Desandreoli. Colocamos o teleprompter, li as piadas, entrava uma animação, era um negócio de TV que nós jogamos na internet. Aí vimos que isso não funcionava. Era legal, mas não era isso que o público queria. Mas na hora que tiramos o teleprompter e me colocaram sentado em um cantinho da sala com o pessoal jogando um monte de coisa em cima com eu falando livre, aí o negócio pegou. Então eu sinto que a TV é um meio muito mais formal que a internet. No desimpedidos eu posso falar um palavrão, pois a galera busca esse conteúdo, já na TV não, pois muitas vezes não se sabe quem está assistindo esse conteúdo. A internet subverte a maneira de se comunicar.

Percebe-se a partir das palavras do Andreoli que essa questão do Direito de Autor na internet merece bastante atenção e cuidado, especialmente na criação de um canal. Por fim, esperamos que tenham gostado da entrevista e caso tenham alguma dúvida sobre direitos autorais e sua aplicação na internet, especialmente no youtube, não hesitem em nos contactar através desse link. Ficaremos felizes em esclarecer quaisquer dúvidas.

Entrevistadores: Lukas Ruthes Gonçalves e Tobias Klein (colaborador externo)